MEDO EM DOIS VÔOS DA AZUL: POR ESSA EU NÃO ESPERAVA

“Quando a aeronave começou a taxiar para a decolagem, sentimos um cheiro muito forte de querosene. O piloto rapidamente voltou e…”

Estou acostumado a viajar. Já passei mais de 15 horas dentro de um avião e definitivamente isso não é um problema pra mim. Claro que eu sinto um friozinho na barriga quando a aeronave está decolando ou pousando, afinal, estes momentos são cruciais na segurança da viagem.

Porém, o que eu vivi na segunda-feira (21/08/17) em dois voos da AZUL, me fez repensar minha relação com as viagens aéreas. Meu trajeto era simples. Estava em São Paulo e iria para Vitória, no Espírito Santo, viagem que já fiz inúmeras vezes. Mas sinto que não era meu dia de sorte (ao quadrado).

O primeiro voo, com saída de Guarulhos as 13h25 foi cancelado.  Quando já estávamos na cabeceira da pista, o piloto retornou (alegando que havia uma mensagem no painel e eles não sabiam do que se tratava. Leia e releia. É isso mesmo!). Os técnicos foram analisar e decidiram que mesmo assim deveríamos embarcar. Ficamos esperando por mais 40 minutos e finalmente nos avisaram que o voo havia sido definitivamente cancelado.

Detalhe: não havia outros voos com este destino saindo de Guarulhos. Fomos avisados que seríamos realocados para outras datas e/ou aeroportos (ou seja, dane-se quem tem compromisso marcado para este dia, afinal, quem viaja de segunda-feira normalmente está de bobeira mesmo, não é?). Outro detalhe eram os funcionários absolutamente nervosos e despreparados. Os passageiros, perdidos, buscavam informações e soluções, faziam questionamentos aos quais alguns funcionários respondiam com muita (falta de) paciência.

Depois de uma dorzinha de cabeça básica alguns passageiros resolveram ir para o hotel (bancado pela Azul) e outros simplesmente desistiram. Eu não podia esperar, pois tinha uma importante reunião de trabalho na manhã seguinte. Depois de muito protestar me fizeram uma proposta: um voo que sairia as 21h45 de Campinas. Aceitei. A empresa disponibilizou o transporte até lá e um voucher no valor de R$ 37,50 para o lanche. Neste quesito eles cumpriram a lei, mas eu lhe pergunto: o que comprar pra comer (depois de um dia inteiro com fome) com este valor dentro de um aeroporto? Quem viaja bastante sabe como são os preços.

Até aqui já são 8 horas de espera. E neste ponto somos avisados que a aeronave está em solo. VIVAAAAA! Então completaram que por problemas operacionais o embarque estava com uma hora atrasado. Isso mesmo: teríamos que esperar por mais uma hora. São 9 da noite e estou aqui desde o meio dia pra tentar fazer um voo simples!

As 22h liberaram o embarque. Estávamos exaustos e achando que pudesse ser apenas um problema de mal tempo. Afinal, problemas operacionais são diferentes de problemas técnicos, como já havia acontecido no voo anterior. Doce ilusão. Quando a aeronave começou a taxiar para a decolagem, sentimos um cheiro muito forte de querosene. O piloto rapidamente voltou e claro, todos a bordo ficamos apavorados. Em solo novamente, técnicos analisaram a aeronave e disseram que aparentemente estava tudo bem e que o cheio forte era “apenas uma falha técnica da Embraer”. Leia novamente. “Apenas uma falha técnica da Embraer”.

Nessa altura do campeonato eu nem sei se estou ouvindo direito. Me pareceu tão absurdo que pensei que isso pudesse ser um delírio. Todo mundo começou a se manifestar com indignação. Foi aí que percebi que tinha ouvido certo. Era nítido o medo nos olhos de cada um. Ninguém ali queria ser pauta para os desastres noticiados no Jornal Nacional.

Enfim viajamos. A viagem mais longa da minha vida. Fiquei tão apreensivo que comecei a mandar mensagem pra todas as pessoas que amo: “Olha, estou viajando e não sei se chego no meu destino. Se não chegar, fica registrado que eu te amo”. Quando cheguei em Vitória meu whatsapp estava bombando com essas pessoas desesperadas. Tive que explicar pra cada uma o que havia acontecido. Cheguei no meu destino 12 horas depois do previsto.

Sobre essa viagem, a reflexão: será que estamos realmente seguros quando viajamos nestas máquinas? Como podem considerar um cheiro de querosene uma coisa normal? A manutenção técnica é feita com rigor? São tantas perguntas que eu não consigo raciocinar sozinho. Se você tiver alguma resposta , HELPME!

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