O trabalho com carteira assinada e a liberdade de viajar e fazer o que gosta!

O dia em que abri mão dos direitos trabalhistas e ganhei o direito de VIVER.

Por: Rodrigo Mancini

Nos últimos dias, as redes sociais têm sido tomadas por frases como: “tiraram nossos direitos”, “o fim da CLT” e por aí vai. Por isso, resolvi escrever este artigo, contando um pouco da minha experiência de como é viver sem os tais registros em carteira, direitos trabalhistas, carga horária semanal de 44 horas, décimo terceiro e férias.

Sou graduado em Economia e, como a maioria dos estudantes, segui os passos normais de qualificação para o mercado de trabalho: fiz estágios remunerados e logo corri atrás de um emprego. Na época, eu consegui um excelente estágio no SEBRAE-SP, que me ajudou muito na conquista do almejado emprego com registro em carteira. Ao final do estágio, comecei a trabalhar num banco, ao mesmo tempo em que fazia pós-graduação em Finanças. Havia conquistado um espaço desejado por muitos e com todos os direitos garantidos: décimo terceiro, férias, participação nos lucros, etc.

Porém esta moeda tem outro lado e outro “preço” que muitos ignoram e se submetem a paga-lo por medo ou simplesmente comodismo. Só quem trabalhou num banco sabe o inferno que é manter estes tais direitos trabalhistas: metas, metas e mais metas; pressão, pressão e mais pressão. Minha vida virou um verdadeiro inferno. Eu não tinha liberdade para pensar, criar e fazer atividades que me dessem prazer. Viajar somente nas férias, ou seja, uma vez ao ano. Saía do trabalho esgotado. Realmente estava infeliz.

Garantir o registro em carteira e a tal da “segurança” estava me custando muito caro. No meu coração, sentia que se não tomasse uma atitude naquele momento, acabaria assim para o resto da vida, como se fosse uma condenação. Retomei os meus contatos e comecei a buscar outra oportunidade. Logo apareceu a chance de trabalhar na gestão de um projeto, que não me garantia registro em carteira ou “direitos garantidos” e legalizado por um contrato de prestação de serviços, a princípio por doze meses, podendo ser renovado ou não. O que eu fiz? Não pensei duas vezes. Meti o pé no traseiro do banco e fui.

Logo no início já percebi que teria flexibilidade de horário e por isso, procurei um mestrado. O contrato foi renovado por três períodos e ali mesmo pude identificar outras oportunidades. Foi aí que idealizei e fundei o Instituto AEQUITAS, uma organização que desenvolve projetos socioeconômicos e consultorias tecnológicas para micro e pequenos produtores rurais, associações e cooperativas. Inclusive, recebi um prêmio do Conselho Regional de Economia, em 2008 pela criação desta organização. Nesse dia, pensava no funcionário de banco infeliz que eu poderia ter sido. E não fui!

Trabalhando como prestador de serviços, como gestor e consultor em projetos socioeconômicos, pude terminar meu mestrado e embarcar num doutorado. Tinha liberdade e não precisava cumprir horários. Podia conciliar viagens a trabalho com lazer. Um exemplo: viajava para reuniões de negócios no Maranhão e depois “esticava” até os Lençóis Maranhenses. Assim, desfrutei de uma das paisagens mais lindas que já vi em toda minha vida. Conheci praticamente o Brasil inteiro trabalhando com algo que me dá prazer: ajudar pessoas a crescerem e se desenvolverem.

Toda essa liberdade me permite criar, inovar, investir e abrir os braços para o trabalho. Em 2015, entrei no ramo audiovisual. Junto com meu sócio, Rufis Jr, que é jornalista, ator e apresentador de televisão, criei a ‘Upgrade Produções Audiovisuais’, uma empresa que produz conteúdos para TV e WEB. Nesta empresa dirigi o ‘Programa Up com Rufis Jr’ e criei o reality show de cabeleireiros ‘Mapa da Tesoura’, ambos exibidos na TV Cultura Paulista. Criamos uma página com conteúdo exclusivo de viagens, a ‘Me Hospedei’, que se expande por youtube, facebook e website. Lá, compartilho muitas histórias destas viagens.

Mais do que um apaixonado por viajar, sou um colecionador de experiências. Ao longo desses anos pude conhecer vários países, em alguns já estive por 4 vezes e o principal: não apenas nas férias garantidas pela CLT. Alguns dos países foram: África do Sul, Argentina, Chile, Uruguai, Itália, França, Inglaterra, Grécia, Turquia, Estados Unidos, Croácia, Holanda, Espanha e México. Pude fazer curso / intercambio para estudar inglês e também passei um período na Itália, estudando língua e cultura italiana e comendo muita pizza.

Sempre busquei a liberdade profissional e nunca neguei que queria ganhar dinheiro para fazer o que mais amo: ajudar pessoas e viajar pra conhecer lugares e culturas. Sou o protagonista da minha própria história com um único propósito: fazer o bem, ajudar pessoas, viajar, ser livre e feliz. Nunca me faltou trabalho nem dinheiro e antes que me perguntem: Não, eu não sou de família rica. Tudo que tive sempre foi muito ralado. No fim das contas o que eu posso garantir é que só fiz tudo isso porque abri mão dos tais “direitos trabalhistas” e da CLT. E não me arrependo!

Foto pessoal

Rodrigo Mancini é empresário, graduado em Economia com MBA em Finanças, Mestrado e Doutorado em Geografia Econômica pela UNESP.

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